
Já ouviu falar no padrão sugar de relacionamento? Com o crescimento dos
aplicativos de namoro, adaptou-se à internet um modelo de negócios (até então
praticado no oculto há anos), que ganhou nome em inglês (sugar, açúcar em português) e está sendo muito
utilizado, especialmente pelos jovens que sonham em encontrar na rede um
provedor (ou provedora) para ter um melhor padrão de vida ou adquirir coisas que o seu salário não permite comprar.
de sugar daddies, procuram mulheres
jovens, educadas, atraentes e ambiciosas para os acompanharem em viagens e
passeios, sem vínculos emocionais.
financiar a faculdade, academia, roupas de marca, levá-las a restaurantes caros
e bancar viagens de luxo, como exige-se de um provedor.
estabelecidas profissionalmente, e que estejam dispostas a lhes darem alguns
presentinhos ou patrocinarem seus estudos em troca de companhia ou algo mais
que elas queiram. Elas são chamadas de sugar
mommy.
negócio, exige investimento. Ao contrário dos demais sites de relacionamento,
estes são mais elitistas e ninguém interage ali sem pagar. Há uns mais caros,
outros mais acessíveis. Apenas o registro é grátis. Depois, todas as ferramentas
só são liberadas, inclusive a possibilidade de falar um oi, mediante a
assinatura do plano, que pode variar de R$ 199,00 por mês a R$ 800,00 por alguns meses (parcelados no cartão).
entram sabem o que estão procurando. Os sites divulgam claramente as regras do
jogo e têm blogs com fotos de casais glamourosos, dicas de beleza, moda e lifestyle, como hotéis de
luxo preferidos das sugar babies, além de depoimentos.
participantes são informados de que não estão ali para arrumar simplesmente uma companhia. “Você é um sugar daddy/mommy querendo mimar o seu parceiro? Ou um
sugar baby que busca alguém que acrescente na sua vida com conhecimento,
networking, viagens ou até a sua alma gêmea?”, publica a home de um deles. É um relacionamento patrocinado, sem vínculos emocionais.
na praia ou piscina), devem ter mais de 18 anos e todos “são proibidos de
promover atividades ilícitas (como prostituição) ou comerciais de qualquer tipo.”
expectativas do casal devem ser alinhadas desde o início, prática denominada
por eles de “relações transparentes”. No Brasil, há dois
sites específicos: Meu Patrocínio (com 500 mil inscritos) e Universo Sugar (cerca de 400 mil).
vendem esse mundo).
outra surgia algum na faixa dos 30 anos. Os mais jovens ganham destaque. De
fato, há rapazes bonitos, que aparecem nas fotos em corpos atléticos e
bronzeados. Não sabemos se são exatamente usuários ou apenas modelos.
encontramos jovens de praticamente todas as regiões do Brasil e de diversos
tipos físicos. Não vi nada de glamour. A maioria não tem o padrão top model, mas cada um deles poderia arrumar
facilmente uma namorada na balada e até mesmo no Tinder. São rapazes educados
e comunicativos, alguns até muito simples. Mas, sonham com os benefícios prometidos pelo relacionamento sugar.
quais conversei foi: “Você se importa com a diferença de idade entre nós”? E
quando questionava o motivo de estarem no site, vários me responderam que “se
sentiam atraídos por mulheres mais velhas”.
“ganhar uns mimos”. Um rapaz, de 23 anos, me pediu logo no
dia seguinte que começamos a trocar mensagens, um celular para que conversássemos
melhor, visto que era o dia do seu aniversário e o aparelho dele havia
quebrado. Outro me contou que estava em busca de “melhores condições
financeiras”. Um terceiro tentou marcar um cinema para assistirmos o novo filme
da Marvel.
nível das conversas) que ali estariam interagindo jovens menores de 18 anos, porque você pode colocar a idade ou a foto que quiser. Não há checagem do site
nesse sentido.
Ninguém ligou para avaliar o meu perfil.
relativa privacidade por pedófilos ou por pessoas com desvios de personalidade, que dizem ser uma coisa e são outra –e a gente sabe o quanto isso é prática
comum na internet. Fica o alerta para os pais. É bem provável que eles nem imaginem que seus filhos sejam candidatos a sugar babies.
CEO do Meu Patrocínio, vê o relacionamento sugar como um fator positivo
para as mulheres. “Jovens, estudantes ou em início de carreira têm buscado na
figura do provedor uma forma de driblar as diferenças salariais no mercado de
trabalho, garantindo a manutenção do seu estilo de vida. O dinheiro ainda é
tabu nas parcerias emocionais. É evidente que ser mulher custa mais caro.”
Meu Patrocínio também informa que nem todos os sugar são tão daddy assim (só homens
mais velhos) e que hoje 28% dos inscritos estão na faixa dos 30
aos 36 anos, sendo igualmente empresários e bem-sucedidos – o sonho de consumo de muitas garotas.
Diz
ainda que eles estão migrando para esse tipo de relacionamento para
impressionar o seu grupo social. “Estar ao lado de uma jovem exuberante faz com que se destaque e alimenta o ego masculino.” Assim, “quando se exibem com esta mulher, incentivam os amigos a entrar plataforma.”
compreensivas e não fazem tantas cobranças”. Ou seja: sabe que estão envolvidos com suas
carreiras e não têm 100% de tempo disponível para dar atenção a elas. Um relacionamento sem estresse.
36 anos, conta que “será difícil buscar uma outra relação fora do modelo sugar. A maioria dos meus amigos ainda está na fase de achar companhia em barzinhos, na balada. Fico cansado e com preguiça só de
pensar. Aqui, tenho o poder de escolha, posso ter a garota que eu
quiser, quando quiser, sem precisar me submeter a joguinhos de sedução.
Enquanto estou satisfeito com minha baby, está tudo bem. Quando não dá mais, é só
buscar outra. As opções são muitas”.
padrão sugar apenas tendência dos novos relacionamentos impulsionados
pela internet ou uma forma de jogar calda de açúcar em uma das profissões mais
antigas do mundo?
as suas próprias conclusões!














